Segunda, 03 Junho 2019 19:38

Bombeiros do DF têm 4 mil servidores a menos: tropa sofre sobrecarga

Onde deveria haver 9.703 pessoas, estão nomeados 5.584 homens e mulheres. Turmas aprovadas em concurso aguardam para assumir os cargos

Com a chegada do período de seca e o risco iminente de incêndios florestais, a deficiência de efetivo no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) deixará a corporação operando no limite. Atualmente, existe uma defasagem de 42,56% nos quadros, somando combatentes e oficiais. Onde deveria haver 9.703 servidores, estão nomeados 5.584 homens e mulheres. Seguem em aberto 4.119 vagas, que aguardam nomeação.

Na linha de frente do serviço operacional, os praças responsáveis por atender ocorrências graves, como incêndios urbanos e florestais, além de acidentes automobilísticos e domésticos, sofrem com a falta de efetivo. O posicionamento estratégico dos 30 quartéis espalhados pelo DF ameniza a falta de recursos humanos, mas não esconde a carência de pessoal. São apenas 4.802 servidores atuando nos chamados de socorro – um déficit de 3.584 bombeiros nas ruas.

Os praças do CBMDF são divididos em quatro categorias: os operacionais, os condutores de viaturas, os que trabalham na manutenção dos veículos e os músicos. Todas com déficit de pessoal e trabalhando com o contingente abaixo do estipulado pela corporação. Das 6.477 vagas de combatentes, apenas 3.912 estão na ativa. O mesmo ocorre com os motoristas de viaturas, que somam 772 servidores para um quadro total de 1.599. Dos 207 mecânicos que deveriam estar trabalhando, somente 95 exercem a função.

Falta pessoal

Sem se identificar para evitar represálias, oficiais que trabalham em algumas das 30 unidades do Corpo de Bombeiros do DF conversaram com oMetrópoles sobre as dificuldades geradas pelo baixo efetivo. De acordo com um major ouvido pela reportagem, tanto o trabalho interno quanto o atendimento das ocorrências ficam comprometidos. “Temos dificuldade em manter os postos fixos, como é o caso da guarda que precisa resguardar a unidade. Precisamos usar ao menos seis militares nesse trabalho e eles acabam fazendo falta no atendimento à população”, disse.

O oficial afirmou que, apesar dos esforços da corporação para atender a população com efetividade, a falta de funcionários prejudica também a formação desses profissionais. “Deixamos de participar de cursos de aperfeiçoamento, pois tirar militares da escala para viagens comprometeria ainda mais os serviços”, ressaltou.

Outro major, que trabalha em uma importante unidade de salvamento, teme pela chegada da seca – quando a ocorrência de incêndios florestais costuma deixar os combatentes exauridos. “Precisamos nos desdobrar para atender todos os casos de fogo, tão comuns nesta época do ano. Em média, são cerca de 30 militares por quartel, o que é considerado pouco, levando em conta uma cidade com quase 3 milhões de habitantes”, analisou.

Aprovados em concurso

O major destacou, igualmente, que a tropa do Corpo de Bombeiros envelheceu. De acordo com o oficial, a média dos militares da linha frente deveria ser de 25 anos. “O número de oficiais indo para a reserva nos próximos quatro anos pode fazer o efetivo diminuir em aproximadamente 25%, prejudicando ainda mais o atendimento à população”, projetou.

Atualmente, existem 2.098 pessoas aprovadas no último concurso da corporação, prontas para assumirem os cargos. Uma comissão foi instituída com intuito de acompanhar o trâmite até a nomeação dos integrantes de cada uma das sete turmas formadas. Lucas Campos é um deles.

 Ele garante que o déficit no efetivo representa uma situação inadmissível, capaz de arrastar a corporação a um “colapso total”. “É preciso prestar atenção na natureza do serviço de um bombeiro militar, pois requer uma renovação constante na tropa, devido à necessidade de vigor físico dos seus integrantes”, analisou.

Na avaliação de Lucas, um dos representantes da comissão, é importante a nomeação de todos os aprovados no concurso. “Não faz sentido algum, em um futuro próximo, a execução de um novo certame, sendo que acarretaria em altos gastos aos cofres públicos, sem contar com o tempo desperdiçado para efetuar todas as etapas dessa suposta seleção. Tal prática, obviamente, contrariaria o princípio da eficiência da administração pública, pois há pessoas aprovadas e qualificadas esperando para serem nomeadas”, finalizou.

Outro lado

Procurado pela reportagem para explicar os motivos do baixo efetivo na corporação, o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros explicou, por meio de nota, que existe um processo administrativo em tramitação no GDF. O procedimento visa viabilizar financeiramente a nomeação das turmas de concursados aprovados.

A nota do CBMDF ressaltou ainda que, havendo orçamento, as turmas serão chamadas para o curso de formação de praças. “Existe o interesse institucional da corporação em que as pessoas sejam chamadas, no entanto, é preciso ter os recursos necessários”, apontou a nota.

Metrópoles também procurou a Secretaria Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão para falar sobre a previsão orçamentária estipulada na Lei Orçamentária Anual (LOA) e se há um planejamento específico destinando recursos a serem utilizados na nomeação dos candidatos aprovados. No entanto, até o fechamento desta matéria, a pasta não havia respondido.

Fonte: Metrópoles